Tags: negro
Carrefour: o mercado do racismo, intolerância e assassinato?
Por Censurado em 4,Jan 2010 | Em Outros | 92 comentários »

Imaginem a cena. Um homem vai ao mercado com a familia, em uma cena tão suburbana que poderia ser escrita por Nelson Rodrigues. Ele então fica dentro do carro esperando, enquanto a mulher vai fazer compras dentro e a filha dorme no banco de trás. No outro lado do mercado - ou não, assaltantes geram uma vÃtima qualquer. Os seguranças procuram por uma moto roubada e logo acham um culpado, que atende pelo nome de Januário Alves de Santana. O problema, entretanto, é que Januário dirigia uma Ecosport e não uma moto. E sua filha estava dormindo no banco de trás. Lógicamente, sabemos que ele não poderia ser o culpado, certo? Errado.
Januário estava em seu carro quando um homem aproximou-se, armado e sem uniforme, do seu vidro. Pensando ser um assalto, Januário não "cooperou". Logo, iniciou-se uma briga entre os dois, que se avolumou com a chegada de outros três seguranças. A briga, que era então entre um pai de familia e um homem armado, transformou-se em uma surra. Ah sim, vale lembrar que a barbarie ocorreu no 'famoso' quartinho dos fundos.
Um soldado da PM aproximou-se do local. O espancamento encerrou-se, mas não as humilhações. Januário relatou que ouviu de um dos agressores, sem especificar se foi um segurança ou o policial que o disse, mas ele lembra-se claramente de ter ouvido: "Você tem cara de quem tem passagem (pela polÃcia). No mÃnimo, umas 3 passagens. Tua cara não nega, negão".
Uma doença chamada preconceito
Por Censurado em 22,Abr 2009 | Em Outros | 35 comentários »

Eu gostaria de mudar um pouco o foco de hoje, só um pouco, se vocês me permitirem. Hoje não falaremos de polÃtica e sim sobre preconceito, um assunto tão importante e polêmico quanto. Talvez, no fim do texto, terá alguma relação com polÃtica, não sei ainda, escrevo direto no publicador do blog e não vou reler, as palavras fluirão direto para cá e depois é caminho sem volta. Me perdoem se eu cometer algum equÃvoco ou excesso, ok?
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Eu sou descendente de italianos, espanhois, mineiros e baianos, descendentes estes de um senhor de terras europeu e uma escrava. Costumo brincar que herdei o melhor de cada raça, os olhos verdes e o cabelo preto liso da Itália, a estatura de gigante (1.90 de altura) da Espanha e a perseverança tupiniquim. Não me considero nem negro nem branco, sou tão misturado quanto um cão de rua e tenho orgulho disso. Os viralatas são os mais fortes.Â
Na escola meu apelido era "negão", embora eu não tenha a belÃssima pele negra. Me chamavam assim simplesmente por ser o menino mais escuro da sala. Na época não via isso como um sinal de discriminação e ainda não vejo. Gosto de conservar a inocência do pensamento "não o faziam com maldade e sim com afeto". É claro que eu cansei de ouvir piadas sobre isso, racistas até, quem nunca ouviu? Tolerei as piadas até um ponto em que percebi que a tolerancia, em alguns casos, incentiva o crime. Com uma briga, da qual não me orgulho, levei ao chão o piadista e todas as chacotas. Depois disso, nunca mais me importunaram.


