Crise e sucessão
Por Censurado em 17,Nov,2008 | Em Política Nacional | Enviar comentário »
Quem mora no Brasil sabe, os dois assuntos mais estampados nas manchetes dos jornais locais são: crise econômica e sucessão presidencial. Embora ambos não estejam diretamente relacionados, não podemos ser inocentes a ponto de pensa-los como coisas separadas. Falar em crise ou em 2010 no Planalto faz qualquer engravatado levantar uma orelha. Espero que ao fim desta leitura, você levante as duas.
Se você leu este post, já sabe da minha descrença sobre a capacidade do Lula de eleger um sucessor. Ouvi uma frase hoje muito pertinente de alguém influente da oposição: “o Lula em 2006 conseguiu ser, sem ser do PT”. Hoje, nenhum dos presidenciaveis do bloco da situação consegue sequer ser zelador do Palácio do Jaburu sem a rubrica do PT embaixo.
Resposta:
É histórico que em paises aonde há reeleição, após um certo período a população tende a querer uma alternância no poder. Pois então, que eu saiba já se trabalha dentro do partido com a possibilidade da derrota em 2010 e um possível (e provável) retorno de Lula à contenda em 2014. Se há uma fortíssima possibilidade de fracasso para o PT em dois anos, seria interessante passar a faixa presidencial de um país estabilizado, saudável financeiramente, com condições para um bom governo? Sacou o pulo do gato? Se 2010 já está perdido, para que facilitar a vitória adversária na reeleição? Perde-se a batalha, mas nunca a guerra.
Aliás, nota-se a mesma postura nos Estados Unidos. Vários especialistas apontaram um certo corpo mole do governo Republicano em conter a crise. Uma vitória contra Barack Obama seria, além de muito dificil, consideravelmente improvável, ainda mais quando os pré-candidatos republicanos disponíveis não reuniam características suficientes para aplacar uma já prevista “onda Obama”. Os repúblicanos entraram na corrída sabendo que só um milagre os colocaria na vitória. Portanto, entregar um país engessado economicamente por dois anos (na melhor das hipóteses), seria a melhor alternativa para retomar ao poder. No norte ou no sul das américas, os cenários e mesmo o calendário das eleições é diferente. Eles elegem um presidente agora em novembro e nós só daqui dois anos. Mas mesmo em povos e idiomas diferentes, como já disse o capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, tudo se resume a uma mesma coisa: estratégia.
A única dúvida que fica é a vontade de lutar dos petistas. Farão o combate emblemático, tal qual o PSDB em 2006, quando elegeu um já derrotado Geraldo Alckmin, ou vão de fato para “as cabeças”, como se diz em São Paulo. Afinal, por mais que se saiba sobre o carisma e figura Luis Inácio Lula da Silva, não se pode descartar o efeito de quatro anos de PSDB/Democratas no poder. Os petistas de pedigree temem uma investigação profunda e detalhada, feita pelo novo governo, dos oito anos da “Era Lula”. Seria a imagem do atual presidente tão forte e consolidada a ponto de aguentar quatro anos de ataque pesado e desgastante do PSDB e dos Democratas, sem contar com toda estrutura aliada atual (PT, PMDB, PP e variantes) para engrossar o coro de defesa e trancar a pauta de possíveis CPIs? Portanto, contra tudo e contra todos, valem-se da percepção do povo em 2006: o governo Lula pode ter sido corrupto como os outros, mas o país foi para frente. Para isso, os governistas precisarão cruzar os dedos e torcer para a crise atual não ser uma marolinha, mas sim um Tsunami.
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