Anunciantes, cuidado! Blogueiros não são, necessariamente, jornalistas.
Por Marcelo Vitorino em 29,Mai,2009 | Em Artigos, Redes Sociais, Comunicação, Blogs, Marcelo Vitorino | 7 comentários »
Depois de pouco mais de um ano dentro do universo dos blogs e das demais mídias sociais digitais, pude constatar que ainda existem alguns equívocos na compreensão dos limites existentes em cada tipo de veículo.
Não é incomum ver algumas empresas tentando entrar com conteúdo dentro da rede utilizando-se das piores formas possíveis: a doação de mimos e o tratamento diferenciado para produtores de conteúdo online.
Isso ainda é resquício de uma forma de trabalho antiga, mas ainda em uso, chamada assessoria de imprensa. Não estou aqui condenando o modelo, porém preciso ser honesto e afirmo que ele não se aplica às mídias sociais da mesma forma que às mídias tradicionais, simplesmente por um motivo, blogueiros não são, necessariamente, jornalistas.
E o que essa diferença implica?
Antes do surgimento dos blogs, onde havia centrais tradicionais de mídia (rádio, televisão, jornal e revista), dezenas ou até mesmo centenas de jornalistas eram contratados por essas empresas para produzir conteúdo e trazer assuntos relacionados para seus espectadores em troca de um salário, este último proveniente do dinheiro de anunciantes, consumidores e assinantes de acordo com o tipo de veículo.
As assessorias de imprensa foram formadas nesse sistema, utilizadas basicamente por seus contratantes para enviar comunicados às mídias, também chamados de “Sugestão de Pauta”, tentando de alguma forma, seja por relacionamento ou por insistência, conseguir publicidade gratuita nos editoriais.
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7 comentários
Agora que o 'dando mimos ou tratamento de estrela....Levar para jantar, dar presentes, oferecer período de testes e outras facilidades...’ embora não pareça lá muito 'certo' não deixa de ser tentador né?....rs
Às vezes certos blogueiros 'exageram' mesmo. Já 'chiei' num que mudou até o layout numa dessas campanhas de carro...
Mas é inegável que é muito tentador a gente receber bebidas, celular, aparelhos de GPS e sei lá mais o que, tanto pra gente quanto pra poder fazer promoção no blog.
Quanto ao 'Anunciantes, cuidado! Blogueiros não são, necessariamente, jornalistas'.
Me parece que cada dia menos quem anuncia está se preocupando com isso...
Anda valendo mais o número de visitantes...a visibilidade que o blog/site tem na mídia, a influência que o dono do blog tem sobre seus leitores....
Enfim...
Claro que eu espero um dia ter um blog que além do prazer de postar, me renda dividendos...Me traga alguns mimos.
E aí fico pensando se vou continuar, na prática, tendo a mesma opinião pra certas coisas que vejo alguns blogueiros aceitando e que hoje olho e penso 'comigo não’!
Sinceramente eu espero que sim.
Abraço
Um blogueiro com seu próprio negócio (pro-bloger) pode até recusar uma oferta de um grande ou pequeno anuciante; Mas o aspira pro-blogger não.
É um risco que cada anunciante que quiser invadir as redes sociais, vai correr.
Se o anunciante planeja se envolver com blogs e aguarda um retorno longo, vai tentar diversas vezes.
Se o anunciante quiser anunciar 10 livros de um autor ruim e espera vender pelo menos 10 livros por mês, apostou em aspira-bloggers e vendeu 20 no primeiro mês, ele vai continuar apostando, o que importa pro aspira blogger é a receita; Ainda mais se ele recebe um produto pra avaliar e outro pra sortear no blog dele.
Pode ser até um negócio ruim para uma grande empresa, mas para uma pequena é excelente.
Em breve o aspira-blogger estará participando de festas de bloggeiros (bar da esquina), ganhando camisas com o nome do seu blog e quem sabe mais tarde, convidado a fazer um quadro no fantástico falando sobre blogs.
O negócio do Eu ganho, tu ganhas vai continuar por longos anos.
Eles sabem, melhor que ninguém, que nem todos os blogueiros não são jornalistas e para isto, não precisam ter cuidado.
Um abraço
Muito bom o post, acho extremamente válido ressaltar: blogueiros não são, necessariamente jornalistas (por acaso, e apenas por acaso, sou as duas coisas). Mas creio que seja bom esclarecer algumas coisas: 1) produzir conteúdo (jornalístico, de assessoria em troca de um salário não deveria ser nada espantoso, não é? Afinal, se produzir conteúdo faz parte da profissão do jornalista, seja como repórter, editor ou assessor, ele deve ser pago por isso). 2 - assessores de imprensa não tentam "publicidade" gratuita, uma vez que publicidade, em sua essência, é paga. Se fazem desta forma, estão agindo de modo equivocado uma vez que o objetivo ao passar uma informação (através das sugestões de pautas, que deveriam ser só isso: sugestões) deve ser que esta venha, posteriormente, em forma de conteúdo jornalístico, não de propaganda.E, aí sim, chama-se "espaço gratuito na mídia" (diferindo da publicidade, portanto). 3- muito bom que diga que uma estratégia de comunicação deve ter bem mais elementos do que um release, pois assim também entendemos que a notícia não deve surgir apenas quando o blogueiro é pago para falar do produto. Ou seja: sim, pode acontecer de ter recebido apenas a sugestão de pauta, sem pagamentos por trás disso, e surgir o post no blog - apenas porque o blogueiro achou o produto ou serviço interessante e ache por bem divulgar e não porque tem um contrato publicitário (porque, creio eu, talvez de modo ingênuo, que nem tudo deve ser pautado por dinheiro, não é?). Excelente também para que se esclareça que mesmo o blogueiro sendo jornalista ele pode, sim, comercializar espaços para publicidade em seu blog, afinal de contasParabéns pelo post, bem esclarecedor.
Quem tiver discernimento para leitura dos fatos, melhor. O resto que coma papinha de nenê.
Mas não, eu sempre publico aquilo que acho interessante, como um post sobre o serviço de uma empresa de hospedagem (que apenas comentou no post agradecendo).
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